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Festa das Hortênsias
O evento que promoveu o nome de Gramado além fronteiras da nação brasileira.
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Artesanato
Conheça um pouco da História da Fearte - Feira do Artesanato.
Como surgiu e como influenciou o turismo na nossa cidade.
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Lei de Criação
Emancipação de Gramado
Conheça a Lei nº2.522, de dezembro de 1954 que Cria o Municipio de Gramado
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História da Festa da Colônia
Gilnei Casagrande fez um trabalho fantástico ao recuperar dados da história deste evento.
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Prefeitos de Gramado
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GRAMADO TEM SEU DESTINO TRAÇADO - Em 19 de abril de 1904, ato Municipal nº 72, é implantado o 3º Distrito de Taquara, com sede na Linha Bonita, neste mesmo ano, por prováveis alterações político-administrativa, o então povoado passa à condição de 5º Distrito de Taquara, com sede na Linha Nova. Através do Ato nº 139, de 17 de Janeiro de 1913, foi transferido a sede distrital para o atual centro urbano. A Lei Estadual nº7.199, de 31 de março de 1938, o povoado de Gramado é elevado à Vila e, em 15 de Dezembro de 1954, através da Lei Estadual nº 2.522, GRAMADO torna-se município. Porém, como parte integrante do contexto historiográfico, a trajetória do município está alicerçada no grande mosaico colonizatório. GRAMADO sedia anualmente um evento, o qual consagrou-se como FESTA DA COLÔNIA. Neste ano na sua 14ª edição a qual acontecerá entre os dias 18 e 28 de março.
A ESCRAVIDÃO – Uma breve referência. Quando o assunto é direcionado a imigração, não há como não relacionar a questão da escravidão. O braço do escravo negro trazido da África, sustentou uma política absolutamente pré-capitalista. A mão-de-obra escrava, nos mais trezentos anos de sua existência, emperrou o desenvolvimento do Brasil, mesmo quando este havia se tornado independente de Portugal. Pode-se afirmar que um destes entraves está associado à falta de circulação de moeda. Uma sociedade sem capital de giro, sem poder de compra não há como se desenvolver. Este foi o panorama da Colônia de Portugal chamado Brasil. Por inúmeras questões, as quais estão reproduzidas nos mais diversos estudos, é uníssono o entendimento de que o Brasil – independente de Portugal – somente alavancaria com a introdução de uma mão-de-obra assalariada. Desta forma e paulatinamente foram sendo tomas as posturas político-econômicas para que ocorresse a substituição da mão-de-obra escrava pelo trabalho remunerado. Entretanto, nosso tema está vinculado a introdução de europeus, não súditos da coroa, para aqui desenvolverem atividades agro-pastoris, entre outras. Se controvertida é a data em que se iniciou a escravidão negra, o seu término é marcado pela Lei nº 183, de 18 de outubro de 1850, que proibiu a introdução de escravos no território brasileiro. Apesar desta vedação legal, sabe-se que a introdução clandestina de escravos, era uma constante. Trinta e oito anos após, em 13 de maio de 1888, foi chancelada legalmente a abolição, a prática da mão-de-obra assalariada pautava a economia brasileira. Entre outros entendimentos este é mais um deles. Encerrando este tópico, é importante gizar que entre o fim da escravidão negra e as correntes imigratórias alguns pontos se aproximam. Lastreado por uma corrente abolicionista e cooptado por outra de fundo político, há que dar razão a MAESTRI FILHO1 quando sustenta a presença do europeu, como mão-de-obra substituta da escrava:
... O trabalhador se dirigia para o Novo Mundo para melhorar seu nível de vida e fugir da miséria que a Europa lhe oferecia. Dificilmente aceitaria um ritmo de trabalho superior ou mesmo igual ao que tinha abandonado, pois aqui tinha a alternativa de viver como produtor independente na periferia da sociedade colonial.
Qualquer das duas etnias predominantes nas terras de Gramado, seus ancestrais, partiram de seu berço natal, eis que esgotados por querelas políticas, econômicas e sociais. O Brasil era o desafio, para o crescimento social e econômico, consubstanciado na questão política.
O LONGO PERCURSO – A compreensão - Algumas leituras deste evento, são necessárias e devem ser editadas devido a grande e profunda repercussão não só no meio sócio/cultural, como também no campo da compreensão: a origem política das etnias que sustentam a FESTA DA COLÔNIA. Para compreender a profunda análise que emerge deste tema, é necessário retroceder no campo da história do Brasil. A questão da imigração além de ser um tema que envolve a todos é longo, complexo e permeado de particularidades. O governo imperial, dentro de sua proposta política, vai buscar na Europa uma nova força de trabalho. Inicia com seus súditos. A 09 de agosto de 1747, D. João, rei de Portugal, através de uma Provisão régia, determina providências para transportar para a Colônia, até quatro mil casais para as partes do Brasil que fosse mais preciso. Determina a referida Provisão, que além de açorianos, também pudessem ir casais de estrangeiros, que não fossem súditos de soberanos, que tenham domínio na América... . Neste momento, o governo Português deu início a uma tênue implantação de seres humanos para aqui desenvolverem atividades agro-pastoris e artesanais. Na aludida Provisão estava previsto que lhes pudesse dar à chegada ao Brasil uma ajuda de custo, conforme a sua perícia, que não excedesse a 7$200réis a cada um ... (IOTTI,2001)2. Neste momento tem início a grande proposta de marketing , embora saibamos que no passado, as Capitanias Hereditárias3 pautaram o ideário político. Resta claro que esta mobilização de pessoas de um continente para outro, deveria contemplar áreas não dominadas pelo trabalho escravo, longe das grandes fazendas açucareiras, enfim fora dos maiores centros. Na verdade, os casais, na sua expressão, vindo dos Açores e de outras partes da Europa, tinham seu destino, pela referida Provisão, a Ilha de Santa Catarina, e por extensão, a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. A ideologia reinante na época era de que os casais deveriam aqui estabelecer-se de forma definitiva. Infere-se isto, pois estava expresso na Provisão que a cada um dos casais, mandará dar, logo que estivessem situados, duas vacas e uma égua, quatro touros e dois cavalos além de dois alqueires de sementes ... mais espingardas, uma foice roçadoura e ferramentas... . O investimento demonstra-se maciço.
SURGEM OS AÇORIANOS- Em 1808, através do Decreto de 1º de Setembro o D. Pedro I, manda vir da Ilha dos Açores 1.500 famílias para a Capitania do Rio Grande do Sul ... favorecendo quanto ser possa o seu Estabelecimento, na firme esperança que daí haja de resultar um grande aumento de povoação, com que depois não só resulte o acréscimo de riqueza e prosperidade da mesma Capitania, mas se segure a sua defesa em tempo de guerra(IOTTI, 2001)4.
É importante destacar o estudo da lavra da Professora Doutora Loraine Slomp Giron, sobre o tema. Segundo a pesquisadora ...
Mesmo que a Provisão Régia de 9 de agosto de 1747 permitisse a entrada de estrangeiros para habitar o Brasil, foram casais açorianos os únicos a receberem terras e subvenções reais para sua vida e manutenção” 5.
Por oportuno, a documentação atinente à imigração que antecede a Independência do Brasil, não há referência expressa ao termo “colono” ou “colônia”. Como se percebe através da leitura acima, o termo utilizado são “casais e “povoações”6, ou seja, somente após a independência do Brasil(1822), é que os textos legais irão referendar o termo colono, máxime a ruptura entre Brasil e Portugal, o que outorgou ao Brasil a condição de Nação livre.
COLÔNIA/COLONO – A origem – Além da importância do estudo sobre a colonização, é relevante esclarecer de que maneira a expressão colônia/colono são inseridas na historiografia. Tudo inicia a partir da etimologia da palavra.
“Colo” significou na língua romana, eu moro, eu ocupo a terra, por extensão, eu trabalho, eu cultivo o campo (...) Colo é matriz de colônia enquanto espaço que se está ocupando, terra ou povo que se pode trabalhar e sujeitar” (BOSI, Alfredo in GIRON, 1986)7.
Desta forma, todo o estudo e compreensão sobre colonização, parte do radical “colo”, conforme se depreende do conceito acima. Portanto, o termo colônia utilizado antes da Independência do Brasil está ligado a questões políticas, ou seja, a colônia em relação a metrópole8. Este assunto é abordado por NOVAIS9, e ampliado por GIRON o qual merece outra abordagem em outro momento. Indene de dúvidas é que o conceito supra, conduz o intérprete a versões equivocadas. Em se tratando de colônia, antes da Independência do Brasil, temos que levar em conta que a colônia era o espaço da exploração econômica da produção e o da sujeição dos nativos e de sua cultura aos conquistadores e por seu turno, colonizador aquele que cultiva a terra e a possui) é também o conquistador que escraviza o nativo, destrói a sua cultura e impõe a ele a sua própria cultura...10. Crível é esta posição até a Independência do Brasil.
A COLÔNIA APÓS A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL – Em 7 de setembro de 1822, é proclamada a independência do Brasil. Os laços políticos com a metrópole estavam definitivamente rompidos. Neste momento, como vimos acima, rompe-se também a sujeição com Portugal no que diz respeito a economia e a sociedade, o que só teve seu efeito derradeiro em 1826, após a Constituição de 1824. Este Documento alterou, entre outros, o modelo da divisão territorial, passando a divisão territorial denominada de província (art. 2º). No demais, mesmo como Nação livre, algumas estruturas mantiveram-se como na época da colônia. No que diz respeito aos brasileiros, o Texto constitucional era aberto, liberal. Desta forma, estrangeiros, excetuando-se os negros, inválidos e criminosos tinham a possibilidade de adquirir todos os direitos a cidadania. Aos não brasileiros residentes aqui residentes, a propriedade foi garantida bem como a transferência de seus patrimônio para o exterior. Quanto aos direitos políticos havia restrições, ao contrário das prerrogativas ligadas à economia. A prerrogativa da criação de colônias era exclusiva do Imperador. Tal prerrogativa, que encontrava ressonância no parlamento, não houve dificuldades para a abertura de colônias oficiais, que no período entre 1822 a 1830, formaram-se sete11. Esta política por questões orçamentárias, não dura por muito tempo. Em 1834 foi concedido às Assembléias Legislativas Provinciais o direito do estabelecimento de colônias12 ,permanecendo, entretanto, as prerrogativas do Imperador. A criação das colônias não serviu apenas de um novo modelo agrícola, serviu também para colocar as bases da segurança nacional em relação as fronteiras com os países limítrofes. O Rio Grande do Sul em especial teve papel fundamental. A produção agrícola colonial estava destinada a suprir de modo complementar, as necessidades básicas internas, restando proibido a exportação, eis que o mercado externo era suprido com a produção do latifúndio, com a mão-de-obra escrava. Há que restar claro que o modo de produção colonial diferia fundamentalmente do restante do Brasil; trabalho livre e propriedade privada eram características dos espaços coloniais. O norte deste artigo, não é aprofundar o exame político-administrativo do Brasil no período posterior a Independência do Brasil até os primórdios da República. O que se tentou realizar foi uma ‘construção’ dos espaços coloniais, sobre os quais alemães e italianos se fixaram13.
DIVISÃO POLÍTICO/ADMINISTRATIVA - Em 1809, através de um instrumento jurídico real, ocorre a primeira divisão administrativa do Rio Grande do Sul, a qual dividia-se em quatro grandes municípios à saber: Município de Rio Grande, Município do Porto Alegre, Município de Rio Pardo e por fim o Município de Santo Antônio da Patrulha, este instalado em 1811. Num breve recorte, é importante gizar que em 1886 é criado o Município de Taquara e a partir daí, aparece Gramado, como vimos acima.
Embora a abordagem deste artigo não aprofunde o estudo, Gramado deve aos luso-brasileiros a sua existência.
ALEMÃES – Uma Nova Realidade - Com estas características peculiares indelevelmente estabelecidas, vejamos como se deu o estabelecimento da etnia alemã e no Rio Grande do Sul e em nossa Região, tendo sempre presente as orientações historiográficas retro. O processo de assentamento de Europeus nas terras brasileiras, possui nuances peculiares. Dom João VI, dá o primeiro impulso. Em 1818, através da Carta Régia de 02 de maio, assina o Tratado de Nova Friburgo/RJ, trazendo para o Cantão de Nova Friburg algumas família suíças( IOTTI,2001)14. Isto foi possível, graças a proximidade do Major José Antônio Schaeffer com a família imperial. Homem de confiança e com laços muito estreitos com a família Imperial, o Major Schaeffer, fica encarregado do recrutamento de imigrantes na Alemanha. Assim, em 1824, através da Decisão nº 80, - Estrangeiros - de 31 de março, é dada a ordem imperial para estabelecer uma colônia de alemães na Província do Rio Grande do Sul(IOTTI,2001)15. O discurso para atrair imigrantes estava calcado nos benefícios que estes teriam ao chegar nas terras imperiais. Segundo a historiografia atinente à matéria os alemães foram seduzidos pela proposta de receberem a passagem através do atlântico, terras, em torno de 77 hectares, sementes e víveres gratuitamente. Desta forma surge a colônia imperial de São Leopoldo (GIRON;BERGAMASCHI,1996)16, marco inicial do processo colonizatório com imigrantes não-lusos no Rio Grande do Sul (PICOLLO,1998:464)17. Segundo se infere dos estudos efetuados, era praticamente impossível não aceitar tal convite na medida em que no período de aproximadamente seis anos (1824-1830), 5.350 imigrantes alemães estabeleceram-se no Rio Grande do Sul(ROCHE,1969:95)18.Não se pode deixar de lado, que o grande fluxo migratório só foi possível diante do gerenciamento e agencimento da grande massa de imigrantes efetuadas por empresas particulares no curso de todo o processo. Tomando como ponto referencial, o primeiro núcleo germânico estabeleceu-se na região do Vale do Rio dos Sinos, então conhecido como FEITORIA DO LINHO CÂNHAMO. Neste particular, devemos nos reportar a HUNSCHE, (1977:88)19. Segundo ele, antes de descrever os acontecimentos mais importantes sobre o desenvolvimento e a expansão da Colônia de São Leopoldo, queremos aclarar o termo geográfico “São Leopoldo” empregado nos nossos livros sobre os primórdios da imigração e colonização alemã no Rio Grande do Sul. Não é o mesmo termo que identifica a cidade e o município rio-grandense de São Leopoldo de hoje. Nos anos de 1824 até 1826, e mesmo mais tarde ainda, a palavra designava o lugar onde os primeiros alemães eram estabelecidos; foi portanto substitutivo para a denominação da antiga Feitoria do Linho Cânhamo.
Esta observação é importante na medida em que esclarece algumas das dúvidas pendentes no que diz respeito ao espaço geográfico, leitura mais do que importante quando se trata da colonização. A derradeira explicação segundo, o autor está nas palavras de HILLEBRAND20, segundo a qual
... colonos chegados em São Leopoldo... queria dizer, somente, que esses imigrantes haviam chegado ao lugar onde a grande maioria já fora instalada. São Leopoldo, como designação geográfica, não existia. Existia a expressão “Colônia de São Leopoldo” como nome oficial da antiga Feitoria e existia, como expressão geográfica, o “passo” do Rio dos Sinos, ao redor da qual, mais tarde, se formaria uma povoação que, pouco a pouco, se apoderava do nome de “São Leopoldo”.
Pontuada a questão e esclarecida a geografia, não é difícil a compreensão de como os alemães chegaram nas terras de Gramado, a qual, topograficamente está localizada entre os dois grandes centros da imigração alemã e italiana . A contar do final do século XIX, com o provável esgotamento das terras, começam aparecer em nossa região a segunda geração de imigrantes, os quais, aos poucos foram se “alastrando” nas novas terras; para exemplificar, na Linha Tapera21 aparecem família de sobrenome alemão como Prinstrop, Hanel, Haach e Willy. Geograficamente esta localidade aproxima-se e faz divisa com Santa Maria do Herval, de predominância germância. Na Linha Marcondes22, é registrado a presença, também no final do século XIX de família com os sobrenomes: Model, Ramisch, Mantey, Ramm, Graner e Stanke. Esta localidade também tem limites com Dois Irmãos e Nova Petrrópolis. Na localidade chamada Campestre do Tigre23, em meados do século XIX, temos registrado o sobrenome Scharanck, como imigrante alemão. Novamente vamos ter o limite natural (à Oeste), com Nova Petrópolis. Linha Araripe24, à Oeste, limita-se com Nova Petrópolis e lá se instalaram as famílias de imigrantes vinda da Alemanha: Eninger, Oberherr, Schtracke, Kilp, Funkem, Zimmermann e Albrech. Na Linha Ávila25 verifica-se a presença das famílias Prockcsk, Augustem, Kilp, Model, Hencke, Morch, e Oberherr, procedentes da Alemanha. Embora esta região não tenha limites com os municípios acima citados, é grande a presença de alemães. Arroio Forquilha26, embora não apareça como reduto colonial, foi de propriedade de Henrique Muxfeld, de origem germânica. Linha Quilombo, registra a presença do sobrenome Muller. Esta localidade é uma das próximas ao centro da cidade, portanto, a presença de alemães não se dá da mesma forma que nas outras áreas. Nas localidades de Linha Carahá e Morro do Arame27, também é registrada a presença de alemães, já na sua segunda e terceira gerações. Na localidade denominada Moreira28 há presença de familiares germânicos com sobrenomes: Sperb, Schmith, Masefelldt. Carazal, não é propriamente uma zona colonial, porém há registros de proprietários de terras com sobrenomes Arend e Frolich e Schmidt. Neste local há uma escola municipal com o nome de João Waslawick, em homenagem a uma família de origem alemã. Como se pode constatar, o percurso traçado por esta comunidade foi longo até chegar às terras de Gramado. A foto abaixo registra Deutsche Schule in Brasiliem, Linha Marcondes, primeiro estabelecimento colônias de imigrantes alemães (KOPPE e DRECKSLER)29.
O início da jornada alemã.30
Sem dar por encerrado a narrativa sobre a etnia alemã, é crível que seja citado o nome da Baronesa Joaquina Rita Bier31 (* 1828 + 1916), a qual é responsável pelo primeiro loteamento em Gramado. A urbanização do bairro Planalto levado á efeito pela Sociedade Herdeiros Joaquina Rita Bier e Cia. Ltda.
ITALIANOS – Em Busca da Sobrevivência – Compreendido na sua essência o processo imigratório, com os italianos, não foi diferente. O que altera fundamentalmente alem da data foi o regime político do Brasil da época – um Brasil Independente - No Rio Grande do Sul, os italianos chegaram aproximadamente 50 anos depois que os germânicos, em 1875. Há fontes criteriosas que indicam a presença dos peninsulares antes. Porém a grande massa de imigrantes ocorre a partir daquela data. Estes, da mesma forma que os teutos, buscaram uma nova realidade econômica e social.A imigração italiana, por ser tardia, aparece num contexto político complexo, máxime que em 1850, foi proibido a entrada de escravos africanos no Brasil bem como o advento da Lei nº 601, de 18 de setembro de 1850 –conhecida como Lei de Terras. Somado a isto, estava claro que o latifúndio era a base da sociedade da época, onde a sua produção estava destinada, como já observamos, para o mercado externo. Deste período em diante, os grandes proprietários que compunham e manobravam a política objetivavam uma participação direta na entrada de imigrantes, cujo destino foi a de suprir a mão-de-obra nas lavouras de café. Estes foram alguns dos pontos centrais aqui no Brasil. Na Itália por seu turno, ocorriam profundas e delicadas alterações no campo político e social, máxime a recém e conturbada Unificação italiana. Segundo IOTTI32, a imigração italiana, ocorrida no Brasil... inseriu-se neste contexto, ou seja, às mudanças estruturais impostas pela expansão do capitalismo na Europa, em especial na Itália. Delineadas as bases políticas da corrente imigratória italiana, existem diferenças profundas entre o que ocorreu nos Estados da região Sudeste e na região Sul. São esclarecedoras as palavras de LAZZARI33 segundo a qual afirma que:
Colonizar é então introduzir imigrantes para suprir mão-de-obra inexistente na grande lavoura, como no caso de São Paulo e Rio de Janeiro e, de outra forma, estabelecer imigrantes em terras que lhe eram concedidas, com a finalidade de explorá-las em um novo regime de produção, de trabalho e de povoamento, como no caso do Rio Grande do Sul, por exemplo.
Alcançando um novo rumo da estrutura sobre o tema em comento,é crível que se acrescente as palavras de HERÉDIA34, o qual aborda as razões políticas e econômicas da imigração italiana no Rio Grande do Sul. Diz ela que:
... A colonização européia no Nordeste do Rio Grande do Sul começou a partir de 1870, por iniciativa do governo imperial, fruto de uma política de ocupação das terras devolutas, decorrente da Lei de Terras de 1850. A política de ocupação, promovida por D.Pedro I e por D. Pedro II apresentou diferenças nos vários estados onde houve concentração de imigrantes. No estado de São Paulo, o intuito era de fornecer um contingente de mão de obra especializada para a grande lavoura do café, ameaçada pelo movimento abolicionista. No Estado do Rio Grande do Sul, o processo colonizatório visava formar colônias agrícolas, produtoras de gêneros necessários ao consumo interno, implantadas longe do latifúndio.
Nesta altura, observamos que o ritmo econômico do Brasil, estava sendo sustentado pelo fluxo de imigrantes, in casu, da Itália. Há que ser destacado também que os imigrantes que se estabeleceram na região Nordeste do Estado, e que depois vieram para as terras de Gramado no apagar do século XIX e alvorecer do século XX, eram provenientes na sua grande maioria do Norte da Itália, camponeses, portanto, afeitos á terra. Como tais características ajudaram formar colônias agrícolas as quais iriam gerar suprimentos de primeiras necessidades para serem comercializados no grande centro urbano. Segundo a mesma autora, “o processo de colonização no Rio Grande do Sul foi fundado sob o regime da pequena propriedade através da mão de obra familiar, como também é conhecido o interior de Gramado. Não obstante aos profundos exames feitos há décadas sobre esta etnia e que envolvem um incontável número de autores, é inegável que os italianos assentados nas terras de Gramado, tiveram suas bases primeiras na região colonial de Caxias do Sul, Farroupilha, Bento Gonçalves entre outras regiões do Estado. Vejamos alguns sobrenomes de origem italiana que encontraram nas diversas colônias do interior de Gramado, a fonte de seu sustento. Na localidade denominada Serra Grande35, por volta de 1900, aparece a família Ghesla, Broilo, Pezzi, Mazzurana e Libardi. Na Linha Tapera36 a família Trintim se estabeleceu em 1917. Como dito acima, Carazal37 não é um reduto colonial, porém há presença de imigrantes italianos com o sobrenome Dallatéia. Na Linha Quinze38, registra-se o nome da família Justi e Reck. Na Lagiana39, há registrado o nome da família Cristófolli. Na Linha Furna40, encontramos os sobrenomes de origem italiana: Peteffi e Lovatto. Na localidade chamada Pedras Brancas41 há presença das famílias Calais, Pegorari, Crivilati, Benetti e Niclotti. Na Linha São Roque42, a primeira família a se instalar foi a Ferrari, imigrantes procedentes da Itália. Ainda há registro das famílias Munareto, Scariot. Na Linha ‘28’43 há registro da presença das famílias Dalsochio, Perini, Bordim, Bezzi, Capeletti e Broilo. Linha Bonita e Mato Queimado a família Masotti entre outras.Na localidade de Quilombo44, aparece a família Bezzi. Morro do Arame45 foi ocupada pelas famílias Tomazini e Dabri.
Na foto o casal Fortunato Benetti.46
MAPA DE VENDA DE LOTES PARA IMIGRANTES ITALIANOS. FIM DO SÉCULO XIX47 - Linhas: Nova – Bonita – interior de Gramado.
O primeiro proprietário destas terras foi José Manoel Corrêa.
JORNAL DE GRAMADO,1999:20
Casal Francisco e Angelina Perini.
Ângela – ou Angelina, como era conhecida, durante toda a sua vida morou na Linha 28. era filha de Augusto e Josefina Bordin, imigrantes italianos que chegaram no Brasil em 1878 junto com seus pais João e Mônica Bordin. Estabelecidos no Travessão Cavour, receberam o título de terras em 17 de dezembro de 1891. No início do século XX, vieram para as terras de Gramado, da qual nunca mais saíram. O futuro esposo de D. Angelina, Francisco Perini, saiu de Forqueta hoje distrito de Caxias do Sul, em busca de terras. Retornando da viagem pediu abrigo, pois a noite caia e uma tempestade se aproximava. Conheceu d. Angelina, casou e se estabeleceu na mesma Linha 28. Tiveram 11 filhos, todos residentes em Gramado.
FESTA DA COLÔNIA. A Consagração do Colono – Desde 1958, Gramado mantinha em seu calendário o evento que serviu de alavanca para o desenvolvimento turístico: A Festa das Hortênsias. Este evento, por razões que a natureza impõe, sempre era realizado no verão, época máxima da floração da hortênsia. Em 14 de dezembro de 1984 foi organizada a XI festa, a qual se estendeu até 13 de janeiro de 1985. A organização do evento, entendeu que era necessário inovar os festejos e introduziu a FESTA DA COLÔNIA. Viu a administração que era hora de prestar uma homenagem aos homens e mulheres que traçaram no mapa a cidade de Gramado. Buscou-se assim o colono, o homem do interior. O resultado não poderia ter sido melhor. Nos primeiros anos, a FESTA DA COLÔNIA era “montada” no pavilhão de esportes da Prefeitura.
Percurso da colônia até a cidade, nos meados dos anos 80.
Já no centro da cidade, em direção ao Pavilhão de Esportes da Prefeitura Municipal, que se vê ao fundo.
Desta forma os colonos tiveram a oportunidade de mostrar aos turistas e ao próprio homem urbano seus produtos, seus costumes, seu cotidiano. O evento nunca mais teve fim. Do pavilhão de esportes, o evento saiu para as ruas. O poder público a partir de então, iniciou um trabalho de qualificação junto aos produtores sendo que ano após ano, houve uma revolução na produção agrícola, o que reverteu em benefício de toda a comunidade. Hoje, incentivados pela administração municipal e por órgãos especializados, Gramado conta com um número significativo de agroindústrias, as quais sustentam não só evento em si, como também fazem parte de um comércio que está em ascensão. Há princípios claros de cidadania, na medida em que todas as comunidades passaram a agregar valores significativos, entre eles a permanência da família no interior, o respeito pelas atividades primárias entre outros. A FESTA DA COLÔNIA passou a ser um momento de rara beleza, não só gastronômica, como também étnica. As duas comunidades que a sustentam, buscam apresentar valores sociais e culturais de indescritível conteúdo. Participam ativamente na parte da culinária como também na apresentação de seus hábitos, transmitidos de geração para geração. Indiscutivelmente a FESTA DA COLÔNIA é o resultado da grande jornada, a qual, como vimos acima, já estava traçada no ideário dos nossos imigrantes.
O preparo da massa. Hábito inserido nas comunidades do interior desde os primórdios da colonização.
Esta imagem mostra o hábito familiar. A mãe e os filhos.
A escala hierárquica é presença marcante nas famílias. O turista aproveita o momento para registrar a manipulação do macarrão.
CRONOLOGIA DA
A FESTA DA COLÔNIA
FONTES: GRAMADO, simplesmente GRAMADO/87
:JORNAL DE GRAMADO.
PRIMEIRA -
1985 – DE: 15 DE DEZEMBRO DE 1984 A 13 DE JANEIRO DE 1985
Introduzida na programação da XIª FESTA DAS HORTENSIAS
SEGUNDA
1986 – DE: 10 A 19 DE JANEIRO DE 1996.
TERCEIRA
1988 – DE: 23 A 31 DE JANEIRO DE 1988.
QUARTA
1990 – DE: 09 A 18 DE FEVEREIRO/90.
QUINTA
1992 – DE: 31 DE JANEIRO – SOMENTE NOS FINS DE SEMANA.
1º E 02 DE FEVEREIRO – 7,8,9 DE FEVEREIRO – 14,15 E 16 DE FEVEREIRO/92
SEXTA
1994 – DE: 11 DE MARÇO A 20 DE MARÇO/94.
SÉTIMA
1996 – DE : 08 A 17 DE MARÇO/96.
1997, NÃO LOCALIZADA NO JG., SEGUNDO FONTES NESTE ANO PASSA A SER ANUAL (VER PROJETO DO ANO 2000.)
OITAVA
1998 – DE: 05 A 15 DE MARÇO/98.
NONA
1999 – DE 04 A 14 DE MARÇO/99.
DÉCIMA
2000 – DE: 16 A 26 DE MARÇO DE 2000.
DÉCIMA PRIMEIRA
2001 – DE: 10 DE MAIO A 20 DE MAIO/2001.
DÉCIMA SEGUNDA
2002 – DE: 04 A 14 DE ABRIL/2002.
DÉCIMA TERCEIRA
2003 – DE: 20 DE MARÇO A 30 DE MARÇO/2003.
DÉCIMA QUARTA
2004 – DE: 18 A 28 DE MARÇO/2004.
O RITIMO DO EVENTO – Há registros no jornal local48 que dão conta do entusiasmo dos organizadores do evento um agradecimento o que encerra com as seguintes palavras:
“Uma semente foi plantada em solo fértil e, regada com o esforço e a dedicação da nossa gente, confirmará esta verdadeira magia que é o encanto e a vocação de nosso município pelo turismo”.
Já em 1985, por ocasião das XI Festa da Hortênsias, data do lançamento do evento, havia um profundo anseio de que a FESTA DA COLÔNIA se tornasse independente. Na segunda edição, dá para perceber que efetivamente a semente germinou. Em todas as edições da FESTA DA COLÔNIA, o agricultor sempre foi o protagonista oficial. Depreende-se isto através da análise documental49 que o município detém. Outro fator de que enaltece o evento é a simplicidade com que o mesmo acontece. Retirado do local de onde iniciou50, passou para o centro da cidade, tomando conta da Avenida Borges de Medeiros, no espaço localizado na Praça Major Nicoletti e Igreja matriz São Pedro. No exame iconográfico51 examinado percebe-se que o evento efetivamente teve tudo para dar certo: reuniu homens, mulheres, urbanos e rurais.
Outro elemento que amparou o evento está na pessoa do turista. O primeiro, evento ocorreu como vimos, a XI Festa das Hortênsias. O município de Gramado, através de uma simples leitura, sempre se destacou na produções de eventos de qualidade: Natal Luz e Festival do Cinema são concretos exemplos. Tais fatos impulsionaram o poder público a rever toda a estrutura atinente aos espaços destinados a FESTA DA COLÔNIA.
A ALIMENTAÇÃO – Retrocedendo ao passado do grande fluxo da imigração, os colonos52 tinham que retirar da propriedade tudo o que lhes era útil. Assim, através das sucessivas gerações a alimentação passou a dar características próprias as duas etnias. Portanto, a rica e farta alimentação que permeiam os cardápios da FESTA DA COLÔNIA têm sua razão de ser. Isto pode ser constatado a cada evento. Ao turista é dado a possibilidade de “participar” da elaboração de cucas, pães, assados de porco, bolinhos de batatas entre outras iguarias, na medida em que são montados espaços destinados a manipulação dos alimentos na presença do público. Cada colono possui sua tenda em condições de enfrentar um verdadeiro exército de degustadores. É a praga contra qualquer dieta, segundo comentários dos transeuntes. Além das tendas, há dois restaurantes, identificados pelas etnias: alemã e italiana. Estes na verdade, buscam servir efetivamente o que há de mais original dentro da gastronomia, fato que reveste o evento de qualidades ímpares e significativas.
Esta imagem demonstra as
atividades após a chamada
Carneação do porco.
Os homens participavam no
Preparo da lingüiça.
O forno à lenha é uma prática comum na preparação dos assados. O pão estava em primeiro plano.
O resultado é uma farta mesa.
Os bons momentos da FESTA DA COLÔNIA são apreciados no entrono das mesas.
O momento de colocar-se à mesa é aguardado com paciência e alegria.
CANTOS E CANTORIAS: Sem dúvida alguma, o imigrante sobreviveu às agruras da sua jornada porque trouxe consigo o lúdico. A FESTA DA COLÔNIA entre outras características,possui esta expressão. MÜLLER (1984:43)53 informa que os alemães são muito dados ao canto, como, de resto, à música em geral. Por isso, não é de se estranhar que na colônia alemã, no passado se cantasse...foi a “Gemeindeschule”, escola da comunidade, que manteve o nível cultural durante longos anos na colônia, com ensino bilingüe,onde tantos cantos acabaram se tradicionalizando. Muitos deles foram, depois, traduzidos e, hoje, cantados em português parece que são da mais pura cepa brasileira, quando, na verdade, foram introduzidos por imigrantes...”
Pelo depoimento observa-se que este ideário passou de geração à geração. Em 198654 e em todas as demais reportagens inseridas nos jornais da comunidade há registros semelhantes a este:
“Enquanto a tradicional “bandinha”procura animar a todos com suas músicas alegres, e “choppe” corre generosamente, enchendo os copos e os canecões. Aos poucos a alegria e a descontração vão irmanando os visitantes e a população local”.
O tradicional palco foi substituído pelo coreto. Ali naquele espaço, e nas adjacências, há uma integração singular entre turistas e comunidade que cantam e dançam festivamente. Não há ricos ou pobres, não há etiqueta ou refinamento; há sim uma comunhão de interesses que convergem para a diversão e alegria. Nas cantorias, unem-se também os italianos. Não há festa em que estes participem que não seja entoado Mérica, Mérica, Mérica55 . Cantigas regionalizadas e que “contam” a trajetória estão sempre presentes nos momentos festivos. Nestes momentos as etnias trazem o kerb, e o filó56 momentos de congraçamento Em resumo, estas etnias buscam na música e nos encontros o rosto dos seus antepassados.
Bandinhas alemãs, sempre presente.
Grupo italiano
Cosi Cantavano I
Nostri nonni.
Grupo de vozes masculina, também alegram o ambiente.
OS JOGOS – O jogos de bocha, cartas e a mora é uma constante em todos os eventos. A bocha, segundo fontes tem sua origem na Grécia antiga. Já com o baralho, buscam manter acesas as chamas do companheirismo: a bisca, segundo COSTA 57 é o jogo que conta a mais antiga tradição. Nos primórdios da imigração, havia que desenhasse o baralho da bisca em papelão.... O grande espetáculo é a mora. Segundo o mesmo autor, fazia ponto quem somasse o número certo proposto, somando seus dedos e os do adversário. Referenda COSTA que esta também é uma das explicações à ligeireza do imigrante em “fazer contas de cabeça”.
Desta forma, raciocínio matemático é a solução, o que explica o grande vozeirio que estabelece em torno da mesa. Há premiações para os participantes.
A mora.
Mantida
por descendentes
italianos.
A imagem
mostra jovens aprendizes.
É a tradição passada de pai para filho.
O jogo de bocha.
No interior do município
São comuns estes locais
de diversão.
Final do certame.
Os vencedores
exibem seu
troféu.
O DESFILE COM CARRETAS – Sem menosprezar qualquer outra atividade inserida no evento, o desfile com carretas é o ponto máximo da FESTA DA COLÔNIA. Todas as comunidades ornamentam suas carroças colocando sobre ela a projeção de suas atividades. Mostram ao visitante, aquilo que produzem no seu espaço. As carroças são tracionadas por juntas de bois. Ao desfile somam-se grupos folclóricos com bailados e cantorias. O percurso do desfile se dá através da Avenida Borges de Medeiros, a principal avenida da cidade.
A consagração do colono.
Representantes das colônias
exibem sobre suas carretas
a produção predominante.
No passado distante, as toras de madeira eram separadas por uma serra manual.
Isto demonstra a coletividade e participação no trabalho.
A presença das famílias são o maior exemplo do empreendimento sócio-cultural.
AS REPRESENTANTES – Nos eventos realizados, há sempre três representantes escolhidas pelas comunidades, geralmente representando os clubes existentes nas colônias. As candidatas não podem residir na zona urbana, devem ter domínio da sua cultura e do município como um todo. Estabelecidas as candidatas, o baile da escolha é realizado sempre no clube da rainha escolhida. Além da música, a escolha sempre antecede uma calorosa confraternização. Este é um momento especial para as comunidades; não raras vezes, as candidatas representam três ou quatro gerações. É comum encontrar nos festejos de escolha, pessoas idosas, uma oportunidade de verem suas netas ou bisnetas representado suas famílias. Escolhidas a rainha e duas princesas, o poder público, através de patrocínios da iniciativa privada passa para as representantes vestidos, sapatos e adornos para o cabelo, elaborados sempre dentro de um padrão cultural próprio. As representantes têm como obrigação a divulgação do evento nas mais diversas localidades do Estados, como de praxe em todos os eventos. Nos dez dias de festejos, as soberanas passam o tempo necessário para confraternizar entre os que participam da festa.
As representantes da
FESTA DA COLÔNIA
devem residir
no meio rural.
Requisito
revestido de
cidadania
e pertencimento.
O AMBIENTE – O mais simples e original possível. Esta é uma das características da colônia: simplicidade e originalidade. Neste aspecto o poder público do município sempre soube valorizar. Contribui com toda a parte da montagem do evento, na construção dos fornos à lenha, na disposição das tendas, na divisão dos espaços, enfim, na articulação necessária para manter sempre um padrão que resulte na boa acomodação do seu cidadão e dos que visitam a cidade.
O centro urbano recebe o agricultor em meio a flores e bandeiras. Harmonia entre ambos.
Mãos hábeis retiram do calor do forno a cuca consumida com prazer.
É o meio rural no centro da cidade. União que deu certo.
A RELIGIOSIDADE – Não há festejos populares sem a participação das Igrejas que formam os núcleos religiosos. São realizados cultos Ecumênicos com a participação do vigário paroquial da Comunidade Católica, bem como a presença dos Pastores das Igrejas Evangélica e Metodista, sempre atuantes na comunidade.
AS EQUIPES – Partindo princípio que o evento foi idealizado pelo poder Executivo municipal, este está representado através das Secretarias de Turismo e da Agricultura, contando sempre com o apreciável apoio do escritório regional da EMATER, com sede no município. A partir das Secretarias, pessoas da comunidade são convidadas a participarem da organização do evento. As frentes de trabalho, além das Pastas oficiais, são as equipes das cozinhas, dos jogos, dos fornos, da decoração, da parte musical e espetáculos entre outras.
A CARTOGRAFICA das TERRAS DE GRAMADO.
Fonte: Raízes de Gramado – EST.2003:227
Texto de Véra Lucia Maciel Barros
A presença Portuguesa no Quadrante Histórico Patrulhense
CONCLUSÃO.
Busquei neste Ensaio mostrar um pouco da FESTA DA COLÔNIA. Juntamente com as várias leituras que Gramado possui, seja mais uma alavanca para compreender nossa história. Torna-se complexo levantar informações sobre o grande mosaico étnico, principalmente quando se trata de temas envolvendo várias estruturas sociais, políticas e econômicas. Vimos de maneira indelével que o evento FESTA DA COLÔNIA é uma das fontes onde podemos extrair, multiplicar e dividir conhecimentos. Há possibilidades de ser trabalhado com maior profundidade a questão turística, a questão social e sobretudo, o ponto econômico, o que este Ensaio não abordou. Uma outra fonte, e aqui já lanço um desfio, é unirmos forças para ampliar a pesquisa dos grupos familiares. A família gramadense, não difere de outros tantos grupos sociais que habitam nosso Estado, porém temos que abrir as gavetas do passado e lançarmos as informações que nelas estão contidas. Por fim, reitero o pedido de desculpas se neste trabalho foi olvidado nomes de famílias que auxiliaram na construção da cidade.
por: Gilnei Casagrande |
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