“Por amor e piedade, nenhuma falha ficará sem punição” me parecia tão ilógico. Amor e piedade pressupõem perdão, pensava eu. E não estava errada. Porém, conforme as orientações do instrutor que se seguiram, a nenhum ser humano pode ser negado o direito de se redimir, e não havendo remissão fora de si próprio, àquele que cometeu a falha cabe compensar. As formas são duas: pelo amor ou pela dor, teoria esta também budista.. E como estamos em uma fase infantil do desenvolvimento da consciência humana, tanto mais comum pela dor.
A chave na proposição não é o castigo, mas a ‘compensação’. Pela lei do carma, toda dor que alguém provoca é uma dor que ele próprio provará, para tomada de consciência e então uma nova postura na vida. O único problema é que falhamos e machucamos sem a devida atenção e percepção dos fatos e a cada dia aumentamos nossa contabilidade de dor a ser sentida no futuro. E quando a sentimos, sem ter consciência do motivo cármico, é muito comum nos sentirmos injustiçados.
O amor é um tema interessantíssimo. Erich Fromm o abordou com maestria, no livro “A arte de amar”. Os condutores espirituais da humanidade, como Jesus Cristo, Buda e Krishna também nos apresentam verdades lindas sobre o mais nobre dos sentimentos humanos. Duas formas de amor são a tônica de suas teorias: o amor à sabedoria e o amor à humanidade.
O amor à sabedoria leva cada um a investigar o universo, suas leis e movimentos. Propõe um esforço para compreensão das verdades absolutas, do transcendente, do que está por trás de toda essa engrenagem que se põe a girar a cada dia. E ele leva, invariavelmente, ao amor à humanidade. Este compreende o homem como uma criação especial, dotada de poderes latentes; indivíduos evoluindo para se tornarem melhores, com menos fragilidades e mais virtudes. Quem conhece o amor à humanidade sente vibrar no peito expressões como irmandade e fraternidade.
Porém, pobres mortais e falhos que somos, raramente pensamos no amor à sabedoria e à humanidade. Estamos mais atentos e preocupados com o amor pessoal, que se expressa nas relações conjugais, familiares e entre amigos. Isso não é mau; apenas egoísta. O que é mau nessa história é que, agindo assim, sem nos darmos conta, enviamos ao universo a mensagem de que queremos aprender mais pela dor, do que pelo amor. Mas isso também não é motivo pra ter medo do castigo. Sempre é tempo de aprender a amar – também a sabedoria e a humanidade... Ou seja, já aos livros e vivências mais altruístas! |  | |