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Guia de Gramado RS - Serra Gaúcha - Brasil

Gramado RS - Serra Gaúcha

Texto publicado em 30/01/2007* - 16:08, terça-feira.por Prem Milan
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 5 anos e 3 meses!
Você é assim, é tudo para mim...
A nossa noção de amor baseia-se muito na relação que tivemos com nossos pais. Isso é fato, a psicologia estuda esse comportamento regredido. Alexander Lowen explica que, ao se apaixonar, a pessoa volta a vivenciar o amor que um dia sentiu pela mãe ou pai, mas ao fazer isso regride em parte de sua personalidade, passa a ser uma criança novamente.

Assim, embora o sentimento de amor seja genuíno, não decorre de uma entrega ao corpo, mas de um abandono da posição adulta. O fato é que, no mundo das idéias, temos um conceito muito bonito e maduro do amor.

No entanto, quando ele é vivenciado no nível emocional, somos crianças de novo. Na prática, isso vai ser um desastre. Você pode notar fragmentos desse comportamento infantil no amor pelos apelidos que damos um ao outro. São sempre diminutivos: “Mãezinha”, “Duzinho”, “Bituquinha”, “Miminho”... O que acontece, afinal, para que passemos a agir desse modo?

É que quando nos apaixonamos, o coração começa a se abrir e, com isso, tudo o que está guardado ali vem para fora, e também as carências da infância. Para preencher essas faltas, começamos a projetar no outro nosso pai ou nossa mãe. O parceiro ou parceira começa a assumir papéis paternais e maternais.

Você também faz o mesmo em relação a ele ou ela. Assim, ambos projetam no outro a aprovação que gostariam de ter obtido dos pais, o carinho que queriam ter recebido.

Só que esse é um processo, claro, que ocorre de forma inconsciente. O relacionamento então passa a ter um ranço, um gosto de coisa estragada. E não sabemos de onde vem essa sensação ruim. Por exemplo: às vezes, o jeito do outro falar faz você se lembrar de determinada frase ou entonação, o que imediatamente aciona alguma lembrança afetiva antiga.

Se ela for desagradável, você automaticamente fica bravo ou desconfia do parceiro. Mas ele não tem nada a ver com isso. Apenas apertou sem querer um botãozinho qualquer dentro de você, que fez vir à tona sensações desagradáveis do passado.

Ter consciência desse processo é muito bom, pois lhe possibilita a chance de aprender a se relacionar de outra maneira. Ao perceber que está projetando no outro uma carência da infância, você vai poder reagir e voltar a assumir uma postura adulta. E não ficar à mercê de seu subconsciente, numa viagem emocional que nada tem a ver com o que está vivendo no presente.
Nós queremos viver como se já tivéssemos chegado ao nosso destino. Mas viver é justamente o caminho que trilhamos até chegar lá. Essa é a aventura. Sem isso, não há emoção. Assim também, os relacionamentos não nascem prontos e acabados. É preciso paciência e força de vontade para construí-los. O paraíso não vai cair do céu sem mais nem menos no nosso colo. A própria busca, em si, já é o paraíso.

O problema é que essa busca pode acabar se transformando num inferno, se a gente der muitas voltas e não acertar o passo. Ou se não desviarmos dos obstáculos do caminho. Para que isso não aconteça, é preciso estar alerta. Tentar resolver bem as questões do passado, limpar o coração e a mente.

Aquilo que vivemos na infância, as frustrações, as faltas, se não forem trabalhadas se tornarão uma bola de neve. Podem até nos atropelar.

Esse é um ponto crucial. Primeiro, é preciso explorar as lacunas da infância. O que não foi vivenciado, realizado, satisfeito. Dessa forma, fica mais fácil perceber quando estamos fazendo uma projeção, tentando preencher no presente faltas que vêm lá de trás.

Se não dermos esse mergulho em nós mesmos, inconscientemente continuaremos tentando, em nossos relacionamentos, saciar a carência da criança que mora em cada um de nós.
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