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Texto publicado em 24/01/2008* - 16:23, quinta-feira.por Isadora Pitanga
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 4 anos e 3 meses!
O dia em que a Terra parou
O dia em que a Terra parou para mim foi quando consegui chegar à conclusão, no meio de uma noite qualquer, sem sono, que não existem coincidências. Somente coisas inevitáveis. Querem ver? Vou dar um exemplo. É inevitável despertadores tocarem.

O dia em que a Terra parou
E, caso não toquem, porque a gente atirou pela janela ou simplesmente desligou voluntariamente - qual um enforcado que pede para chutar o banquinho debaixo dos seus pés, aquele que o prende à vida – ironicamente, perdemos o ônibus. Porque jura que todo mundo tem carro, que as ruas não têm trânsito, que o ar é puro e que as nuvens são brancas e as noites são estreladas. Nem os desenhos animados se aventuram a tanto ultimamente. Então, perder um ônibus pode nos afetar.

Inevitável é também a gente ver uma rede na varanda da casa daqueles primos que lembramos no verão porque está estrategicamente situada pertinho de uma praia qualquer de grande badalação que nos fazem dar pulinhos e gritinhos. E, a rede, numa cena bucólica de página de revista, parece nos chamar. Pobre de nós! Você pode conferir. Ou a rede está mal estendida e nos vamos ao chão, ou tem um bicho voador letal daqueles que só aparecem nos vídeos incríveis ou descobrimos que a falecida dona da casa morrera lá, enquanto tirava uma soneca. Seus últimos suspiros.

E já que falamos em praia, inevitável chover quando estamos na praia. Inevitável não nos prepararmos pra isso. Inevitável a casa ficar cheia de crianças que correm enlouquecidas como enxame em busca do mel, como se estivessem sempre num estado hipnótico de esquizofrenia.

Da mesma forma, como nós, os supostos adultos do sistema, que nos encontramos num estado relativamente similar, onde ainda temos a ilusão de que não estamos esquizofrênicos, fazemos de conta que não vemos coisas, de que o telefone móvel vai funcionar no meio da estrada, que o nosso príncipe encantado não vai engordar e nem ter chulé e que as rugas não vão aparecer do dia para a noite como acontecem com as nossas amigas ou com a vizinha do andar de baixo.

Por tudo isso, creio mesmo em coisas inevitáveis. Mas juro, todos os dias, correndo pela rua para pegar o ônibus, que não se trata de nada mais do que apenas coincidências, falhas no sistema, que hoje parece estar na moda a expressão, e, portanto, não devo me preocupar, logo alguém digita uma nova linha de comando e tudo se acerta de novo.
 Lu  (1549 dias atrás)
Muito Booooooommmmmmmmmm!
Não tem como não cair na realidade!!
É inevitável!
Já está nos meus favoritos!

Bjos!
LU




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